sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sri Ramakrisha e Jesus



Era de madrugada. Shri Ramakrishna estava acordado e meditava na Mãe Divina. Devido à enfermidade os devotos se viam privados do canto do nome da Mãe Divina.
Shri Ramakrishna estava sentada no pequeno divã. Perguntou a M., “Bem, por que tenho esta doença?”
M.: “As pessoas não se atreverão a se aproximar do senhor a não ser que se assemelhe a elas em todos os aspectos, mas ficam deslumbradas em descobrir que, apesar de sua doença, o senhor só pensa em Deus.”
Mestre (sorrindo): “Balaram também disse, ‘Se até o senhor pode ficar doente, por que temos de nos surpreender com nossas enfermidades?’ Lakshmana ficou admirado ao ver que Rama não podia levantar o arco por causa de Seu pesar por Sita. ‘Até Brahma chora, apanhado na armadilha dos cinco elementos.’ ”
M.: “Jesus cristo também chorou como um homem comum, com o sofrimento de seus devotos.”
Mestre: “Como foi isso?”
M.: “Havia duas irmãs, Maria e Marta que tinham um irmão, Lázaro. Os três eram devotos de Jesus. Lázaro morreu. Jesus estava a caminho de sua casa, quando uma das irmãs, Maria, correu para recebê-lo. Caiu a seus pés e disse chorando, ‘Senhor, se estivesse estado aqui, meu irmão não teria morrido!’ Jesus chorou ao vê-la chorar.
“Jesus foi à sepultura de Lázaro e o chamou pelo nome. Imediatamente Lázaro voltou à vida e saiu andando da tumba.
Mestre: “Mas não posso fazer estas coisas.”
M.: “È porque o senhor não quer. Esses são milagres, por isso, o senhor não está interessado neles. Essas coisas atraem a atenção das pessoas para seus corpos. Elas então, não pensam em devoção verdadeira. É por isso que o senhor não faz milagres, mas há muitas semelhanças entre o senhor e Jesus Cristo.”
Mestre (sorrindo): “O que mais?”
M.: “O senhor não pede a seus devotos que jejuem ou façam outras práticas. Não prescreve regras duras e estritas a cerca de alimento. Os discípulos de Cristo não observaram o sabbath e por esta razão, os fariseus os censurava. Por conseguinte Jesus disse, ‘Fizeram bem em comer. Enquanto estiverem com o noivo, devem divertir-se.’ ”
Mestre: “O que isto quer dizer?”
M.: “Cristo quis dizer que enquanto os discípulos vivessem com a Encarnação de Deus, deviam celebrar. Por que estarem tristes? Mas quando Ele retornar à sua própria morada no céu, então dias viriam de tristezas e sofrimentos.”
Mestre (sorrindo): “Você encontra em mim algo que seja semelhante a Cristo?”
M.: “Sim, senhor. O senhor diz, ‘Os jovens ainda não foram contaminados por “mulher e ouro” e por isso; serão capazes de receber instrução. É como guardar leite num pote novo; o leite pode azedar se for guardado num pote onde tenha sido feita a coalhada.’ Cristo também falou assim.”
Mestre: “O que ele disse?”
M.: “ ‘Se o vinho novo for mantido numa garrafa velha, ela pode rachar. Se um tecido velho for remendado a um novo, o velho se rasgará.’
“Além disso diz que o senhor e a Mãe são Uno. A mesma coisa disse Cristo, ‘Eu e Meu pai somos um’.”
Mestre (sorrindo): “Há mais?”
M.: “O senhor nos diz, ‘Deus certamente escutará se alguém O chamar com sinceridade. Assim, também, Cristo disse, ‘Bata na porta e ela lhe será aberta.’ ”
Mestre: “Bem, se Deus encarnou-Se de novo, será esta uma manifestação fracionária, parcial ou completa? Alguns dizem que se trata de uma manifestação completa.”
M.: “Senhor, não compreendo muito bem o significado completo ou parcial de uma Encarnação mas entendi como o senhor explicou, a idéia de um buraco redondo no muro.”
Mestre: “Fale-nos sobre isto.”
M,: “Há um buraco redondo no muro. Através dele pode-se ver parte do campo que se estende  do outro lado. Assim também, através do senhor pode-se ver parte do Deus Infinito.”
Mestre: “É verdade. Pode-se ver cinco ou seis milhas do campo de uma só vez.”M. terminou o banho no Ganges e foi para o quarto do Mestre. Eram oito horas da manhã. Pediu a Latu que desse ao Mestre o prasad de arroz de Jagannath. O Mestre ficou perto dele e disse, “Tome este prasad regularmente. Aqueles que são devotos de Deus não comem nada antes de comer o prasad.”
M.: “Ontem tomei um pouco de prasad de Jagannath na casa de Balaram Babu. Como um ou dois grãos diariamente.”
M. saudou o Mestre e despediu-se. Shri Ramakrishna disse-lhe afetuosamente, “Venha amanhã bem cedo. O sol quente da estação chuvosa faz mal à saúde.” 


(Evangelho de Ramakrishna)

Segunda-feira, 31 de agosto de 1885


Um comentário:

Patrícia Melo disse...

Namastê William,
Gostei muito de seu blog, vc escreve coisas lindas e sua ama é iluminada.

Um abraço fraterno.