sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Nicolau de Cusa - Deus aparece como infinidade absoluta.






DEUS APARECE COMO INFINIDADE ABSOLUTA

Senhor Deus, amparo dos que te procuram, 
vejo-te no jardim do Paraíso e não sei o que vejo, 
porque nada vejo do mundo visível. 
E apenas sei que não sei o que vejo e que nunca poderei saber. 
Nem sei como chamar-te, porque não sei o que és. 
E, se alguém me disser que és denominado com este ou aquele nome, 
sei que esse nome com o qual és denominado não é o teu nome. 
O termo de qualquer modo de significar dos nomes é o muro para lá do qual te vejo.

E se alguém exprimir um conceito com o qual possas ser concebido, 
sei que esse conceito não é teu conceito. 
Com efeito, todo o conceito tem o seu termo no muro do Paraíso.
 E, se alguém exprimir alguma comparação 
e disser que deves ser concebido de acordo com ela, 
sei, do mesmo modo, não ser ela à tua semelhança. 
Assim, se alguém descrever o que entende de ti 
querendo oferecer um modo pelo qual sejas compreendido, 
permanecerá ainda longe de ti. 
De tudo isto estás, no entanto, separado por um muro altíssimo. 
E o muro separa de ti todas as coisas que possam ser ditas ou pensadas, 
porque estás desligado de tudo aquilo que possa cair no conceito de quem quer que seja.

Por isso, enquanto me elevo o mais alto possível, vejo-te como infinidade, 
sendo por isso inacessível, incompreensível, inominável, imultiplicável e invisível. 
Assim, é necessário que aquele que se aproxima de ti 
se eleve acima de todo o termo e fim, acima de tudo o que é finito. 
Mas, como chegará a ti, que és o fim para o qual tende, 
se deve elevar-se para além do fim? 
Quem se eleva para além do fim não tende a entrar no indeterminado e no confuso, 
e, assim, no que diz respeito ao intelecto, 
na ignorância e na obscuridade, 
que são próprias da confusão intelectual?
É, pois, necessário que o intelecto se torne ignorante 
e se coloque na sombra, se te quiser ver. 
Mas o que é, Deus meu, o intelecto e a ignorância, senão a douta ignorância? 
Por isso, não pode aproximar-se de ti, ó Deus, 
que és a infinidade, 
senão aquele cujo intelecto está na ignorância, 
ou seja, aquele que sabe que te ignora.

Como pode o intelecto captar-te a ti, que és a infinidade? 
Sabe-se o intelecto ignorante e sabe que não pode captar-te, 
porque és a infinidade. 
Entender a infinidade é, pois, compreender o incompreensível. 
Sabe o intelecto que te ignora, porque sabe que não podes ser conhecido, 
salvo se souber o que não é susceptível de se saber 
e se vir o que não é visível e se tiver acesso ao que não é acessível.
Tu, Deus meu, és a infinidade absoluta, porque vejo que és o fim infinito. 
Mas não posso captar como é que o fim é fim sem fim. 
Tu, Deus, és o fim de ti próprio porque és o que tens. 
Se tens fim és fim. 
És por isso, fim infinito, porque és fim de ti próprio, 
porque o teu fim é tua essência 
e a essência do fim não termina nem acaba em algo diferente do fim, mas em si.

Por isso, o fim que é o fim de si próprio é infinito 
e todo o fim que não é fim de si próprio é um fim finito. 
Tu, Senhor, que és o fim que dá o fim a tudo, és, 
por essa razão, o fim para o qual não há fim, 
e, assim, fim sem fim ou infinito, 
que escapa a qualquer razão. 
E isso implica, com efeito, contradição. 
Por isso, quando afirmo um fim infinito, 
admito que a treva é luz, 
a ignorância ciência, 
o impossível necessário. 
E, porque admitimos um fim do finito, 
admitimos necessariamente o infinito, 
o fim último ou o fim sem fim. 
Não podemos, porém, deixar de admitir o infinito. 
Admitimos, pois, a coincidência dos contraditórios, para lá da qual está o infinito.

Essa coincidência, todavia, é a contradição sem contradição, 
assim como o fim sem fim. 
E tu dizes-me, Senhor, que assim como a alteridade na unidade é sem alteridade, 
porque é unidade, 
assim também a contradição na infinidade é sem contradição, 
porque é infinidade. 
A infinidade é a própria simplicidade de tudo o que se diz 
e a contradição não é sem a alteração. 
Todavia, a alteridade na simplicidade é sem alteração, 
porque é a própria simplicidade. 
Com efeito, tudo aquilo que se diz da absoluta simplicidade coincide com ela, 
porque aí o ter é ser, 
a oposição dos opostos é oposição sem oposição 
assim como o fim do que é infinito é fim sem fim.

Por isso, tu, Deus, és a oposição dos opostos, 
porque és infinito, 
e, 
porque és infinito, 
é a própria infinidade.
 Por essa razão, nada é outro, diverso ou adverso em relação a ti. 
Pois a infinidade não é compatível com a alteridade, 
porque, sendo infinidade, 
nada há fora dela. 
Na verdade, a infinidade absoluta tudo inclui e tudo abraça. 
Assim, se fosse infinidade e houvesse algo fora dela, 
não seria infinidade nem outra coisa qualquer. 
Com efeito, a infinidade não pode ser maior nem mais pequena. 
Por isso, nada é fora dela, 
e, se não incluísse em si todo o ser, 
a infinidade não seria infinidade. 
Porque se não houvesse infinidade, não haveria então fim, 
nem outro, nem diverso, 
os quais não podem ser sem a alteridade dos fins e dos termos. 
Retirado, pois, o infinito, nada permanece. 
Por isso, a infinidade existe, ela complica em si todas as coisas 
e nada pode ser fora dela. 
Portanto, também nada pode ser outro ou diferente em relação a ela. 
Daí que a infinidade seja assim tudo por não ser nada de tudo.

À infinidade nenhum nome pode convir. 
Com efeito, todo nome pode ter um contrário. 
Mas à infinidade inominável nada pode ser contrário. 
Mas a infinidade não é também o todo a que se opõe à parte, 
nem pode ser parte; 
além disso, a infinidade não é grande nem pequena 
nem o que quer que seja de tudo o que no céu ou na terra se possa denominar. 
A infinidade está acima de tudo isso.

A infinidade não é maior, menor, ou igual a nada. 
Mas, enquanto considero que a infinidade não é maior 
nem menor 
que qualquer coisa que se apresente, 
digo que ela é medida de todas as coisas, 
não sendo maior nem menor. 
E assim a concebo como igualdade de ser. 
Tal igualdade, porém, é infinidade, 
e, assim, não é igualdade do modo pelo qual 
à igualdade se opõe ao desigual, 
mas aqui, 
a desigualdade é igualdade. 
Com efeito, a desigualdade na infinidade é sem desigualdade, 
porque é infinidade. 
E, assim, a igualdade é infinidade na infinidade.

A igualdade infinita é fim sem fim. 
Daí que embora não seja maior nem menor, 
nem por isso, todavia, 
é igualdade do modo pelo qual se capta a igualdade contraída, 
mas é igualdade infinita que não admite nem o mais nem o menos. 
E, assim, não é mais igual a alguma coisa que a outra, 
mas é assim igual a uma por o ser a todas 
e igual a todas por o ser a nenhuma delas.

Na verdade, o infinito não é contraível, 
mas permanece absoluto. 
Se fosse contraível a partir da infinidade, 
não seria infinito. 
Não é, pois, contraível à igualdade das coisas finitas, 
embora não seja desigual em relação a nenhuma delas. 
Pois como conviria a desigualdade ao infinito, se lhe não convém o mais nem o menos? 
Por essa razão, o infinito não é maior, menor, ou desigual 
em relação a qualquer coisa que se apresente. 
E também não é, por causa disso, igual ao finito, 
porque está acima de todo o finito, 
ou seja, é por si próprio. 
O infinito é, então, absoluto e incontraível.

Ó quão excelso és, Senhor, acima de tudo, e simultaneamente [quão] baixo (humilis), 
porque estás em tudo. 
Se a infinidade fosse contraível a algo de denominável, 
como é a linha, a superfície ou a espécie, 
atrairia a si aquilo a que fosse contraída. 
Ora, implica contradição que o infinito seja contraível, 
porque não seria contraído, mas atrairia. 
Com efeito, se disser que o infinito é contraído à linha, 
como quando digo que a linha é infinita, 
então a linha é atraída ao infinito. 
Na verdade, a linha deixa de ser linha quando não tem quantidade nem fim. 
A linha infinita não é linha, mas é, na infinidade, infinidade. 
E assim como nada pode ser acrescentado ao infinito, 
assim o infinito não pode ser contraído a algo 
de modo a ser diferente (aliud) do infinito.

A infinita bondade não é bondade, mas infinidade. 
A infinita quantidade não é quantidade, mas infinidade. 
E assim se passa em relação à tudo. 
Tu és o grande Deus, cuja grandeza não tem fim. 
E, assim, vejo que és a medida não mensurável de tudo, 
como és o fim infinito de tudo. 
Por isso, Senhor, 
porque és infinito, 
és sem princípio nem fim, 
és o princípio sem princípio e o fim sem princípio; 
és, assim, princípio por seres fim 
e fim por seres princípio, 
e não és nem princípio nem fim, 
mas, acima do princípio e do fim, 
és a própria infinidade absoluta sempre bendita.

Nicolau de Cusa – De visione Dei
Trad. João Maria André.
Cap XIII 



sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Como podemos chamá-lo (ao Uno) de "outro"? - Plotino

Por que não podemos permanecer lá no alto?
 É por não termos saído inteiramente deste mundo. 
Virá um tempo em que a contemplação será ininterrupta, 
posto que não haverá mais nenhum obstáculo do corpo. 

Aliás, não é a parte que contemplou que é velada pelo corpo, 
mas a racional: aquela que, 
quando a que contemplou está inativa no que diz respeito à contemplação, 
está ativa quanto ao conhecimento racional 
que consiste em demonstrações, provas e diálogos da Alma consigo mesma. 

Mas o ato de contemplar e o contemplador não são raciocinantes: 
são superiores, anteriores, transcendentes ao raciocínio (logismoi), 
como o próprio Objeto de sua contemplação.

Por isso, quando o contemplador contemplar a si mesmo (o Uno), 
verá a si mesmo como descrevemos, abrasado. 
Ou, antes, estará unido a si mesmo nesse estado, 
e terá consciência de estar nesse estado glorificado, 
uma vez que se tornou simples. 

Talvez não se deva dizer "verá a si mesmo", mas "será visto", 
se é possível dizer que o vidente e o objeto de sua visão são dois e não um.
 Portanto, nesse momento, o vidente não vê, 
nem distingue, 
nem imagina que são dois: 

mas tendo se tornado de certo modo outro, 
e não mais sendo ele mesmo, 
nem dele mesmo, 
pertence inteiro ao que está lá no alto, 
e, 
possuído por ele, 
é uno com ele, 
como se seu centro coincidisse com o Centro. 

Pois, mesmo aqui embaixo, dois centros que coincidem são um, 
mas tornam-se dois quando se separam. 

Por isso é difícil descrever essa visão. 
Pois, como podemos chamá-lo (ao Uno) de "outro", 
se no momento em que foi visto não foi visto como outro, 
mas uno com aquele que o viu?

Plotino - Enéada VI 9. 10


sexta-feira, 16 de outubro de 2015



A Alegria de viver - Thomas Traherne

A alegria de viver jamais é completa

até que todas as manhãs despertes no Céu
vendo a ti mesmo no palácio do Pai
mirando os céus, e terra e o ar como dádivas celestiais
e tudo contemplando com reverente estima,
como se estivesses entre os anjos.
A noiva do monarca na câmara nupcial
não tem tantos motivos de prazer como tu.

Jamais fruirás plenamente a delícia da vida
até que o próprio mar flua em tuas veias
até que estejas vestido com os céus e coroado de estrelas
e percebas a ti mesmo como sendo o único herdeiro de todo o Universo
e mais que isso, 
pois todos os homens que nele estão são seus herdeiros,
tanto como tu.
Até que possas cantar, regozijar-te e deleitar-se em Deus,
assim como os avarentos com o ouro 
e os reis com seus cetros,
jamais poderás sentir a alegria de viver.

Até que teu espírito encha todo o Universo
e que as estrelas sejam tuas jóias
até que te sejam tão familiares os caminhos de Deus em todas as idades,
assim como a mesa onde te sentas
até que estejas intimamente ligado àquele "nada" nebuloso
do qual todo universo é feito
até que ames os homens desejando sua felicidade
com uma sede igual ao zelo que sentes por ti mesmo,
até que te regozijes em Deus
 por ser bom para todos,
jamais amarás a vida.

Até que tu a sintas mais que tuas posses,
e a percebas mais presente no hemisfério,
considerando as belezas que lá estão,
do que na tua própria casa,
até que te lembres quão tarde foste 
e quão maravilhoso foi quando chegou a Ele,
e sintas mais júbilo no palácio da tua glória,
como se ele estivesse sido feito hoje pela manhã.

Além disso, jamais amarás plenamente a vida 
até que ame a beleza de gozá-la,
até que estejas ardente e sequioso de persuadir os outros
a amá-la também.
E desta forma odiar totalmente a abominável corrupção
humana que despreza essa possibilidade,
pois preferirás sofrer as chamas do inferno a, 
voluntariamente seres culpado dos seus erros

O universo é um espelho da Beleza Infinita
porém o homem não o vê.
É um templo da majestade,
mas o homem não o olha.
É uma região de luz e Paz,
se o homem não a perturba.
É o paraíso de Deus.

É muito mais para o homem depois de sua queda do que antes.
É o lugar dos anjos e o portal do céu.
Quando Jacó despertou de seu sonho, ele disse:
"Deus está aqui, e eu não o sabia."
Como é sublime esse lugar!
Nada mais é que
a casa de Deus e o Portal do Céu.

Em: A Filosofia Perene - Aldous Huxley

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Pensamentos soltos - Jinarajadasa


Compreender plenamente a evolução da Consciência 
é penetrar o mistério da natureza de Deus.
 Porém, como toda vida é Ele e somos também fragmentos d´Ele, 
à medida que crescemos em consciência, 
nós O descobrimos,
 e, ao mesmo tempo,
 nos transmutamos em Sua imagem.
 E ao descobri-Lo, 
nós descobrimos a nós mesmos. 

O mistério da Consciência é este: a parte é o Todo.
 Mas saber isto é uma coisa, e sê-lo é outra. 

Só é possível ser o Todo,
 quando atuamos com o Todo, 
e isto realizamos, dando-nos 
tão plena e francamente 
dentro de nosso pequeno círculo de ser,
 como o Todo a Si mesmo se dá a todos,
 no vasto círculo de Seu Ser. 

Parece incrível que sejamos capazes de imitar o Todo.
 Contudo, por ser este o nosso destino, 
Ele nos enviou de Si para vivermos nossas vidas separadas. 
A única vida digna de ser vivida consiste em participar de seu eterno sacrifício;
 é o testemunho que dão todos aqueles que d´Ele vieram 
e para Ele voltaram conscientemente. 

(Jinarajadasa)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A semana do magista - Papus



A imantação das forças psíquicas 
deve ser feita no silêncio. 
É pela perseverança,
pela calma e, 
sobretudo, 
pela investigação exclusiva 
da verdade por si mesma 
e não por fim material 
e vil, 
que se chega pouco a pouco, 
à intuição do astral 
e à posse da prática.
  
O dia do magista 
deve ser consagrado 
à prece 
sob estas três formas:
a palavra, o trabalho e a meditação.
Ao levantar-se dirá, 
depois de ter purificado fisicamente 
o mais possível pela água, 
a oração do dia diante do altar. 
Em seguida se entregará ao trabalho 
que é a mais útil e eficaz das preces.
A noite,  finalmente, consagrar-se-á 
alguns instantes 
à meditação 
relativamente às observações 
e aos ensinamentos 
que se pode recolher durante o dia 
que acaba de transcorrer.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Os dois tipos de paciência - Sutra Upasakashila

Existem dois tipos de paciência: a que pertence a este mundo e a que o transcende.
Com a paciência deste mundo, aprendemos a tolerar a fome, a sede, o calor, o frio, o sofrimento e a alegria.
Com a paciência transcendental, aprendemos a ter fé inabalável, sabedoria, generosidade, compaixão e mente aberta.
Aprendemos a ser firmes em nossa lealdade ao Buda, ao Dharma e à Sangha;
a tolerar insultos, agressões físicas, escárnio, conspirações maléficas contra nós, cobiça, ira, ignorância e todos os outros elementos vis e humilhantes deste mundo.
Aprendemos a tolerar o intolerável e a realizar o impossível.
Assim é a paciência que transcende este mundo.

Sutra Upasakashila

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Pai-Mãe nosso que estais em todos os lugares


Pai-Mãe nosso que estais em todos os lugares

Santificada e Glorificada seja vossa Obra Maravilhosa

Venha a nós a percepção de vossa 
Beleza, Alegria e Bondade Eternas
Que ela nos eleve acima de nossas forças

Seja feita a vossa vontade
em cada coração que brilha com tua Luz
Assim no plano físico como no espiritual

O pão espiritual da evolução e superação
dá-nos, conforme nosso mérito e necessidade.

Perdoai nossas faltas na medida em que 
desatamos os nós das faltas de nossos irmãos em relação a nós

Não deixeis abater e desaquecer
a nossa força que brota de ti

Que nossos corações resplandeçam
com Teu Amor Infinito.

Livra-nos do egoísmo.

Amém, Aum, Paz

terça-feira, 28 de maio de 2013

Pensamentos soltos - Shankaracharaya



Assim como as nuvens tornadas visíveis pelos raios de sol manifestam-se escondendo o sol que as criou o egoísmo manifesta-se a si mesmo ocultando o caráter real do Eu.

As nuvens são reunidas pelo vento, e por ele dispersadas. A servidão é criada pela mente bem como a emancipação.

Shankaracharya.

Morra e viva Naquilo - Sam Tchan Khan Pa



Morra e viva Naquilo!
Confia!

Possa a tua alma brilhar com a infinita Luz e suprema Paz
Oh, imortalidade suprema, em Ti sempre morei!
Não mais distinto de Ti serei.
Tua alegria enche aquilo que de minha alma permanece.

Incendeia aquilo que resta de meu coração.
E em mim incorpora a felicidade de um relâmpago eterno.

Oh, Vida imensa e infinita!
Esplendor eterno e radiante!
Tu és meu único corpo.
o meu único lar...
Eu sou a divindade das coisas!

Sob este espesso manto de matéria
sou a chama silenciosa e anônima,
que de todos é desconhecida,
e que brilha no coração das trevas externas!

No perpétuo ressurgir de minha infinita visão
Não mais existem véus, nem trevas, nem luz.
Oh inominável infinito!
O Eterno que não tem qualquer atributo
é minha única morada,
o meu único estado Natural

É nesta unidade que vejo uma infinidade de seres e coisas
dissolvidos numa essência comum, 
igual à pura água
que da pura água surge,

Na plenitude transluminosa de uma infinita realidade
para sempre estou transfigurado
assim como todas as coisas transfiguro
em virtude do eterno relâmpago que sou.

Eu sou... Para sempre sou...
A bênção infinita que nos seus eternos ritmos
o Universo acalenta 
e os corações das coisas acelera.

Eu sou... Para sempre sou...
No meu refúgio último,
que é também o refúgio de todas as coisas...

Alegria!
Harmonia!
O êxtase do mundo!

Sam Tchan Khan Pa
Lama Tibetano

sábado, 30 de março de 2013

Pensamentos soltos - Henry Bergson

" A humanidade geme, meio esmagada sob o peso do progresso que conseguiu. Ela não sabe o suficiente que seu futuro depende dela. Cabe-lhe primeiro ver se quer continuar a viver. Cabe-lhe indagar depois se quer viver apenas, ou fazer um esforço a mais para que se realize, em nosso planeta refratário, a função essencial do universo, que é uma máquina de fazer deuses."
Henri Bergson