quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cartilha do Ministério da Agricultura - O olho do consumidor

A cartilha "O Olho do Consumidor" foi produzida pelo Ministério da Agricultura, com arte do Ziraldo, para divulgar a criação do Selo do SISORG (Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica) que pretende padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, orientando o consumidor. Infelizmente, a multinacional de sementes transgênicas Monsanto obteve uma liminar em mandado de segurança que impediu sua distribuição. O arquivo foi inclusive retirado do site do Ministério (o link está "vazio").

Em autêntica desobediência civil (ou não), e resistência pacífica à medida de força, estamos distribuindo eletrônicamente a cartilha.

Se você concorda com esta ideia, continue a distribuição para seus amigos e conhecidos.

Abaixo À Monsanto! Vamos boicotar os produtos transgênicos e Venenosos desses Crápulas


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Poemas - Kabir Das



LXXVI

ABRE teus olhos de amor, e contempla
Aquele que permeia todo este mundo!
Observa-o bem, e reconhece teu próprio país.
Quando encontrares o verdadeiro Guru,
Ele despertará teu coração;
Ele te revelará o segredo do amor
e do desprendimento, e então,
sem dúvida nenhuma saberás
que Ele transcende este universo.
Esse mundo é a Cidade da Verdade, o labirinto
de seus caminhos fascina o coração:
Podemos alcançar nosso destino sem jamais
percorrer a estrada, tal é o jogo sem fim.
Onde o círculo de múltiplas alegrias
gira à sua volta continuamente,
aí a Felicidade Eterna engendra lances.
Quando conhecermos isto, estará terminado
todo nosso esperar e recusar.
Então deixará de nos queimar o fogo da cupidez.
Ele é o repouso Último e Infinito:
Ele espalhou as formas de seu amor
pelo mundo inteiro.
Dessa Luz que é Verdade, torrentes
de novas formas emergem perpetuamente;
e Ele permeia essas formas.
Todos os bosques e jardins e alvoredos sobejam
flores, e o ar estala em cascatas de alegria.
Que maravilhosa trama o cisne avança aí!
Os sons da música não tocada turbilhonam
à volta da Infinita Verdade.
Brilha no centro o trono do ilimitado,
onde repousa o grandioso Ser.
Milhares de sóis empalidecem, envergonhados
ante o fulgor de um só pelo de Seu corpo.
Que doces melodias deixa escapar
a harpa do caminho!,
suas notas transpassam o coração:
Aí a fonte eterna combina sem cessar 
os eflúvios vitais do nascimento e da morte.
Como podem chamar Nada àquele que é a Verdade
das verdades?, Àquele no qual 
encontra-se todas as verdades!

Em seu interior, evolui a criação,
e isso está além de qualquer filosofia,
pois filosofia nenhuma pode alcançá-Lo:
Existe um mundo infinito, ó irmão!
e encontra-se aí o Ser Sem Nome,
do qual nada se pode dizer.
Esse mundo é conhecido apenas daquele
que de fato o alcançou:
é diverso de tudo o que já se disse e ouviu.
Lá não se conhece nem forma, nem corpo,
nem extensão: como posso explicar-te o que é?
Trilha o Caminho do Infinito aquele sobre o qual
recaem as graças do Senhor: liberta-se
da vida e da morte aquele que O alcança.
Kabir diz: "Não se traduz em palavras saídas
dos lábios, não se pode escrever em papel:
É como se um mudo provasse uma iguaria:
como poderia explicá-la?

Kabir

sábado, 10 de setembro de 2011

A religião e a ciência - Albert Einstein

De início, portanto, em vez de perguntar o que é religião,
eu preferiria indagar o que caracteriza as aspirações de uma
pessoa que me dá a impressão de ser religiosa: uma pessoa
religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto
quanto lhe foi possível, libertou-se dos grilhões, de seus
desejos egoístas e está preocupada com pensamentos,
sentimentos e aspirações a que se apega em razão de seu
valor suprapessoal. Parece-me que o que importa é a força
desse conteúdo suprapessoal, e a profundidade da convicção
na superioridade de seu significado, quer se faça ou não
alguma tentativa de unir esse conteúdo com um Ser divino,
pois, de outro modo, não poderíamos considerar Buda e
Spinoza como personalidades religiosas. Assim, uma pessoa
religiosa é devota no sentido de não ter nenhuma dúvida
quanto ao valor e eminência dos objetivos e metas
suprapessoais que não exigem nem admitem fundamentação
racional. Eles existem, tão necessária e corriqueiramente
quanto ela própria. Nesse sentido, a religião é o
antiquíssimo esforço da humanidade para atingir uma clara e
completa consciência desses valores e metas e reforçar e
ampliar incessantemente seu efeito. Quando concebemos a
religião e a ciência segundo estas definições, um conflito
entre elas parece impossível. Pois a ciência pode apenas
determinar o que é, não o que deve ser, está fora de seu
domínio, todos os tipos de juízos de valor continuam sendo
necessários. A religião, por outro lado, lida somente com
avaliações do pensamento e da ação humanos: não lhe é lícito
falar de fatos e das relações entre os fatos. Segundo esta
interpretação, os famosos conflitos ocorridos entre religião
e ciência no passado devem ser todos atribuídos a uma
apreensão equivocada da situação descrita.
Um conflito surge, por exemplo, quando uma comunidade
religiosa insiste na absoluta veracidade de todos os relatos
registrados na Bíblia. Isso significa uma intervenção da
religião na esfera da ciência; é aí que se insere a luta da
Igreja contra as doutrinas de Galileu e Darwin. Por outro
lado, representantes da ciência tem constantemente tentado
chegar a juízos fundamentais com respeito a valores e fins
com base no método científico, pondo-se assim em oposição a
religião. Todos esses conflitos nasceram de erros fatais.
Ora, ainda que os âmbitos da religião e da ciência sejam em
si claramente separados um do outro, existem entre os dois
fortes relações recíprocas e dependências. Embora possa ser
ela o que determina a meta, a religião aprendeu com a
ciência, no sentido mais amplo, que meios poderão contribuir
para que se alcancem as metas que ela estabeleceu. A
ciência, porém, só pode ser criada por quem esteja
plenamente imbuído da aspiração e verdade, e ao
entendimento. A fonte desse sentimento, no entanto, brota na
esfera da religião. A esta se liga também a fé na
possibilidade de que as regulações válidas para o mundo da
existência sejam racionais, isto é, compreensíveis à razão.
Não posso conceber um autêntico cientista sem essa fé
profunda. A situação pode ser expressa por uma imagem: a
ciência sem religião e aleijada, a religião sem ciência e
cega.

Einstein - Sobre a liberdade

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pensamentos soltos - Henry Bergson

Criador por excelência é aquele que pela sua intensa ação é capaz de também intensificar a ação de outras pessoas e de iluminar, generosamente, focos incandescentes de generosidade. (Henry Bergson - A energia espiritual)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Todo interno - Juan Ramón Jimenez



Cheguei a uma terra de chegada.
Esperavam-me os teus, deus desejado; esperavam-me os meus
que, em meu ansiar de tantos anos teus, me esperaram contigo,
contigo te esperaram.

E que luz entre eles: 
num sol zenital imprevisto, entre o choro e o sorriso,
sobre uma aurora com suas torres frente ao rubro,
numa noite de encanto desejar,
numa tarde de crepúsculo alongado,
entre o meio dia de chumbo protetor
por uma madrugada com névoa e uma estrela!

Que luz entre os olhos, lábios, mãos;
que primavera do pulsar;
que tu entre eles, em nós Tu;
que luz, que perspectivas
de peito e fronte (jovem, velho, menino);
que cantar, que dizer,

que abraçar, que beijar;
que elevação de ti em nós
até chegar a ti,
a este tu que sobre ti pões
para que todos cheguem pela escada de carne e alma
à consciência desvelada que é o astro
que acumula e completa, em unificação,
todos os astros no todo eterno!

O Todo eterno que é o todo interno.


Juan Ramón Jimenez

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Re-Voar



Re-Voar

Mil pássaros voavam ao redor do céu amigo
E apenas um deixou de bater as asas para lá e para cá
Pousou em meu colo e entoou uma canção

Ela dizia aos meus ouvidos: vem voar comigo
Deixa este céu cheio de pássaros e vamos para a floresta brincar
De ser o que somos, eu com minhas asas e tu com teu violão

Cantaremos melodias às sementes que germinarão,
Às estrelas solitárias e distantes na imensidão
E aos que se calam e vivem em vão

Cantei . E meu coração chorou de alegria
De ver que a poesia que estava guardada em mim
Voou junto com aquela melodia e me tirou da escuridão

Vem passarinho! Cantaremos juntos e faremos dançar
as pedras, as montanhas, os bosques e o mar
Com tua melodia e minha voz, no vento, a bailar

E o Amor por onde o céu mandar
E a paixão por onde conseguirmos voar
Serão nossas asas a nos impulsionar

WDS

Para Kátia Batista

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pensamentos soltos - Ali Shah

Oh homem!
Há alguma coisa que, fruindo a amizade de Deus, não podeis compreender?
Tua alma não tende a Ele como as montanhas erguem-se para o sol e as águas do mar alçam-se na direção da lua?
Em verdade, tu caminhas adiante sob a luz da Sua energia, sob o inextinguível brilho de Sua infinita majestade, à semelhança de uma estrela que, acesa pelos raios de um sol ainda maior, caminha nas avenidas da noite iluminadas de um milhão de lâmpadas.
Como um navio movido pelas espertas ondas da manhã, tu és impelido pelo sopro do Seu espírito.
Em verdade, pertences a Deus como a criança pertence a seu pai.
O que tens pois a temer, ó filho de tal Pai?

Sirdar Ikbal Ali Shah

domingo, 14 de agosto de 2011

Svetasvara Upanishad

O Senhor Supremo, resplandescente e uno, está oculto em todos os seres. Todo penetrante, Ele é o Ser interno de todas as criaturas, Aquele que impele às ações, habitando todas as coisas; Ele é a testemunha, o Animador, o Absoluto livre de formas.

Svetasvara Upanishad, VI, 11

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O poeta pobre - Hafiz

A inconstância reina soberana.
São raras hoje, as provas de amizade fiel.
Os homens sérios vêem-se reduzidos a estender aos indignos a mão leal.
Na imensa dor do mundo,
o homem de bem não conhece um instante de repouso ao seu sofrimento.
Que o poeta faça um canto claro como o vinho,
um canto que derrame no coração uma onda de alegria.
O avarento e o guloso não lhe atirarão sequer uma espiga sem grãos,
a ele que pode cantar as melodias dos anjos.
A Sabedoria, ontem, disse-me baixinho:
- "Vai! Embora fraco, tem paciência.
"Sim, seja a paciência a tua única arma. Doente, ou triste - têm paciência!"
Ó Hafiz, guarda na alma este conselho, e,
se de fatigado cambaleias,
endireita-te,
ergue a fronte,
e caminha!

Hafiz

terça-feira, 7 de junho de 2011

Viaja dentro de ti - Rumi

Viaja dentro de ti (Rumi)

Pudesse a árvore vagar
E mover-se com pés e asas,
Não sofreria os golpes do machado
Nem a dor de ser cortada.

Não errasse o sol por toda a noite,
Como poderia ser o mundo iluminado
A cada nova manhã?

E se a água do mar não subisse ao céu,
Como cresceriam as plantas
Regadas pela chuva e pelos rios?

A gota que deixou seu lar, o oceano,
E a ele depois retornou,
Encontrou a ostra à sua espera
E nela se fez pérola.

Não deixou José seu pai
Em lágrimas, pesar e desespero,
Ao partir em viagem para alcançar
O reinado e a fortuna?

Não viajou o Profeta
Para a distante Medina
Onde encontrou novo reino
E centenas de povos para governar?

Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
E reflete, como a mina de rubis ,
Os raios de sol para fora de ti.

A viagem te conduzirá a teu ser,
Transmutará teu pó em ouro puro.

Ainda que a água salgada
Faça nascer mil espécies de frutos,
Abandona todo amargor e acidez
E guia-te apenas pela doçura.

É o Sol de Tabriz que opera todos os milagres:
Toda árvore ganha beleza
Quando tocada pelo sol.

("Poemas Místicos", de Jalad ud-Din Rumi, poeta Persa século XIII - Editora Attar)