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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Como podemos chamá-lo (ao Uno) de "outro"? - Plotino

Por que não podemos permanecer lá no alto?
 É por não termos saído inteiramente deste mundo. 
Virá um tempo em que a contemplação será ininterrupta, 
posto que não haverá mais nenhum obstáculo do corpo. 

Aliás, não é a parte que contemplou que é velada pelo corpo, 
mas a racional: aquela que, 
quando a que contemplou está inativa no que diz respeito à contemplação, 
está ativa quanto ao conhecimento racional 
que consiste em demonstrações, provas e diálogos da Alma consigo mesma. 

Mas o ato de contemplar e o contemplador não são raciocinantes: 
são superiores, anteriores, transcendentes ao raciocínio (logismoi), 
como o próprio Objeto de sua contemplação.

Por isso, quando o contemplador contemplar a si mesmo (o Uno), 
verá a si mesmo como descrevemos, abrasado. 
Ou, antes, estará unido a si mesmo nesse estado, 
e terá consciência de estar nesse estado glorificado, 
uma vez que se tornou simples. 

Talvez não se deva dizer "verá a si mesmo", mas "será visto", 
se é possível dizer que o vidente e o objeto de sua visão são dois e não um.
 Portanto, nesse momento, o vidente não vê, 
nem distingue, 
nem imagina que são dois: 

mas tendo se tornado de certo modo outro, 
e não mais sendo ele mesmo, 
nem dele mesmo, 
pertence inteiro ao que está lá no alto, 
e, 
possuído por ele, 
é uno com ele, 
como se seu centro coincidisse com o Centro. 

Pois, mesmo aqui embaixo, dois centros que coincidem são um, 
mas tornam-se dois quando se separam. 

Por isso é difícil descrever essa visão. 
Pois, como podemos chamá-lo (ao Uno) de "outro", 
se no momento em que foi visto não foi visto como outro, 
mas uno com aquele que o viu?

Plotino - Enéada VI 9. 10


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pensamentos soltos - Filolau

Há entre o homem e tudo o mais uma harmonia, uma relação, um princípio comum. Esse princípio lhe é dado pelo Uno, juntamente com a sua essência e sua inteligibilidade. Mas, como se aproximar do ser inapreensível? Alguém já viu o senhor do tempo, a alma dos sóis, a fonte das inteligências? Não? Somente confundindo-se com ele é que se penetra em sua essência . É semelhante a um fogo invisível, no centro do universo, com a chama ágil a circular em todos os mundos e movendo a circunferência. Vosso próprio ser, vossa alma não é um microcosmo, um pequeno universo? Mas ela está cheia de tempestades, de discórdias. Trata de realizar a unidade na harmonia. Então, somente, Deus descerá em vossa consciência. Então, participareis do seu poder, fareis da vossa vontade de ferro a pedra do lar, o altar de Héstia, o trono de Júpiter. (Filolau. Filósofo pitagórico, séc. V a. C)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pensamentos soltos - Henry Bergson

Criador por excelência é aquele que pela sua intensa ação é capaz de também intensificar a ação de outras pessoas e de iluminar, generosamente, focos incandescentes de generosidade. (Henry Bergson - A energia espiritual)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Comunidade no Orkut - Filosofia Oriental

 

Caros leitores e leitoras,

Criei essa comunidade no Orkut para disponibilizar algumas obras sobre as filosofias orientais. 
Iniciaremos em 2011 um grupo de leitura e pesquisa sobre Filosofia Oriental no Departamento de Filosofia da UEM.
A participação de todos com postagens é muito bem vinda.
Namaste




quinta-feira, 8 de abril de 2010

Filosofia - Pensamentos - 2 - Do amor da amizade - Aristóteles



Com efeito ele é certa virtude,
ou não existe sem virtude;
Ademais é o que há de mais necessário na vida.
Pois, sem amigos, ninguém escolheria viver,
ainda que tivesse todos os outros bens.

Com efeito, para as pessoas ricas e
para os que tem autoridade e poder,
parece de suma necessidade ter amigos:
qual seria a utilidade desta prosperidade
uma vez tirada a oportunidade de fazer benefícios,
que exerce principalmente 
e em sua mais louvável forma
em relação aos amigos?

Na pobreza e nos outros infortúnios
os amigos são o único refúgio em que pensam as pessoas.

O amor da amizade
é necessário aos jovens para preservá-los do erro;
às pessoas idosas para lhes assegurar curativos 
e suplementar a sua capacidade de ação reduzida pela fraqueza.
Enfim, aos que estão na plenitude de suas forças
para incentivá-los à prática de ações nobres:

Quando dois vão juntos são mais capazes de agir.

(Ética a Nicômaco, VIII, 1, 1155a, 3-16)  



segunda-feira, 22 de março de 2010

Filosofia - Pensamentos - 1

Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam...Vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos ladridos, com saltos e carícias. Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objectivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquines à natureza tão impertinente contradição.

 Voltaire para René Descartes