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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Os dois tipos de paciência - Sutra Upasakashila

Existem dois tipos de paciência: a que pertence a este mundo e a que o transcende.
Com a paciência deste mundo, aprendemos a tolerar a fome, a sede, o calor, o frio, o sofrimento e a alegria.
Com a paciência transcendental, aprendemos a ter fé inabalável, sabedoria, generosidade, compaixão e mente aberta.
Aprendemos a ser firmes em nossa lealdade ao Buda, ao Dharma e à Sangha;
a tolerar insultos, agressões físicas, escárnio, conspirações maléficas contra nós, cobiça, ira, ignorância e todos os outros elementos vis e humilhantes deste mundo.
Aprendemos a tolerar o intolerável e a realizar o impossível.
Assim é a paciência que transcende este mundo.

Sutra Upasakashila

quarta-feira, 6 de março de 2013

Samyutta, Nikaya, v



O estado da mente bem-equilibrada mostrará o caminho
A todo aquele que atingiu a Fé e a Sabedoria;
Os varais são a Consciência;
a Mente, o jugo;
E a Cautela, a auriga atenta;
Os arreios da Probidade, o Carro ;
O Entusiasmo, o eixo;
a Energia, as rodas;
E a Calma, o companheiro de trabalho;
A falta de cobiça, as cortinas.
A Benevolência e a Inofensibilidade são as suas armas,
Junto com o Desapego da Mente.
A Persistência é a armadura do exemplo,
E é para atingir a Paz que o Carro vai adiante.
E, construído pelo eu, pelo próprio ser de alguém,
Ele se torna a incomparável, a suprema carruagem;
Acomodados nela, os Sábios deixam de ser parte do mundo
E alcançam a Vitória.

Sakyamuni
Samyutta, Nikaya, v

terça-feira, 26 de junho de 2012

O grande rio passa silencioso - Buda




Aprende isto no curso da torrente:
No barranco ou no abismo da montanha,
Os riachos correm com grande ruído
o grande rio passa silencioso.

Bem fortemente ressoa a caixa vazia:
o que está cheio está sempre calmo;
assim, um vaso cheio até a metade é o tolo,
assim, um lago cheio é o sábio.
...
Aquele que sabe, cujo eu está domado,
embora conhecendo, fala pouco:
esse sábio estima a sabedoria
Esse sábio obtém também a sabedoria.

Buda - Suttanipata - 720-723

quinta-feira, 17 de março de 2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Pensamentos soltos - Buda

Há o Não-nascido, o Não-originado, o Não-criado, o Não-formado. Se não houvesse esse Não-nascido, esse Não-originado, esse Não-criado, esse Não-formado, escapar do mundo do nascido, do originado, do criado, do formado, não seria possível. Mas desde que há um Não-nascido, Não-originado, Não-criado, Não-formado, é possível também transcender o mundo do nascido, do originado, do criado, do formado.

Buda

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pensamentos soltos - Sutra Prunabuddha

Concluída a iluminação, o bodisatva está livre da servidão das coisas, mas não procura libertar-se das coisas. O samsara (o vir-a-ser) não é odiado por ele, nem o nirvana é amado. Quando resplandece, a perfeita Iluminação não é servidão nem libertação.

Sutra Prunabuddha

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Senda Óctupla - Budismo - Murillo Nunes de Azevedo

A Senda Óctupla - Murillo Nunes de Azevedo *1

No Budismo há um sintético mas profundo ensinamento chamado A Senda Óctupla (arya-astangika-marga*2):

O primeiro estágio ou elo ou degrau dessa Senda é o da COMPREENSÃO CORRETA (samyak-drsti):

Isso quer dizer que nesse primeiro estágio do Conhecer temos de penetrar o problema de todos os ângulos possíveis. A "coisa" - e recebam essa palavra como tudo que possam imaginar - tem de ser observada cuidadosamente, atentamente, ou seja, a doença que o médico tem diante de si, o problema que o engenheiro tem de resolver, a questão que o advogado tem de decidir, o sermão que o sacerdote tem  de fazer, a situação afetiva ou doméstica que temos pela frente. Tudo enfim (...)

(...) O segundo estágio é o do PENSAMENTO CORRETO (samyak-samkalpa):

Algo nasce de nossa mente e que se assemelha a uma fotografia de ótima qualidade quando tirada por um excelente fotógrafo, com boa câmera, luminosidade perfeita, abertura de lente exata e tempo de exposição correto. Têm assim uma imagem mais aproximada daquela realidade que fotografaram.

Estão aptos agora a passar para o terceiro estágio da Senda: o da PALAVRA CORRETA (samyak-vak):

Que pode estimular, curar, inspirar e levar adiante um projeto ousado, seu ou de alguém que o procurou.

Poderão então passar à AÇÃO CORRETA (samyak-karmanta):

O quarto estágio, que é o diagnóstico no caso do médico, o conselho no caso do psicólogo ou psicanalista, ou de uma pessoa amiga que compreendeu o seu problema, ou quanto ao engenheiro, a busca de um projeto para uma obra, ou a inspiração para um artista.

Chegamos ao quinto estágio, o da PROFISSÃO CORRETA (samyak-ajiva):

Aquele trabalho que nos entusiasma e faz felizes, bem como aos outros, pois está de acordo com nosso DHARMA, com a nossa vocação, que muitos nunca descobrem. Então o trabalho se torna um prazer, uma constante alegria. Não há tédio capaz de vencê-lo. Essa tendência está muitas vezes profundamente oculta em nós e em nossos pais, amigos, professores, que nos empurram para atividades que não estão de acordo com nosso perfil psicológico. Deve-se dar ao jovem a oportunidade da escolha, pois é o seu destino que está em jogo. Tentar ir contra a vocação de alguém é um crime terrível que deveria ser punido por lei (...)

(...) O Sexto degrau no estágio é o ESFORÇO CORRETO (samyak-vyayama):

Quando não há sofrimento envolvido na nossa ação, não há cansaço nem aborrecimento, e a obra é realizada com pura alegria (...) (...) Esse estágio aumentará o nosso rendimento pois tudo é feito com amor, dedicação, alegria a brotar de uma maravilhosa criatividade que está infusa em nós e que não pode - infelizmente, na maioria das vezes - se manifestar (...) (...) O esforço correto não desgasta, não cansa o seu autor: pelo contrário, enche-o de alegria por estar sendo um canal para o desabrochar da criação. 

É algo representado  simbolicamente pela flor de Lótus, uma flor maravilhosa que finca as suas raízes no mais denso lodo, na escuridão das águas lamacentas, e procura constantemente a luz do sol que está muito acima dele. E cresce, rompendo a lama, atraída por esse toque sutil da Criação, até que aflora nas águas e começa a desabrochar, a ser verdadeiramente ela mesma, em contato direto com esse sol que é a sua própria razão de Ser (...)

(...) Alcançamos agora o sétimo degrau, o estágio mais importante da Senda Óctupla de que nos fala o Budismo, quando se enfatiza a PLENA ATENÇÃO (samyak-smrti):

A chave de nossa felicidade, de nosso destino,. Infelizmente vivemos envolvidos no ontem e preocupados com o amanhã, esquecidos completamente do AGORA! A Única coisa que existe e é diferente de tudo o mais. ("Todo momento é um novo momento") (...)


E, por fim, o oitavo elo da cadeia de ouro, que trata daquilo que podemos chamar de vários nomes, tais como: CONCENTRAÇÃO CORRETA, ILUMINAÇÂO, INDIVIDUAÇÃO (samyak-samadhi):

É o momento em que o pináculo do nosso Ser é alcançado. É quando nos "eliminamos", ou segundo Carl Gustav Jung, nos tornamos realmente seres humanos (...) 
(...) É somente neste momento, ou na sua aproximação (que é gradativa), que poderemos começar a perceber que o Paraíso é aqui! 


(*1 Reverendo Murillo Nunes de Azevedo, Em: O Paraíso é aqui, Editora Fundação Petrópolis, 1997, pgs 36-40)

(*2 Termos obtidos em: O Despertar da Visão da Sabedoria, Tenzin Gyatso - 14 Dalai Lama, Ed. Teosófica, 1992 - Segundo o Dalai Lama, este Nobre Óctuplo Caminho pode ser organizado em quatro divisões: supressão, reconhecimento, incentivo à confiança e oposição. Assim, a compreensão perfeita rompe as visões errôneas e penetra o vazio, sendo esta a primeira divisão. O exame perfeito auxilia os outros a reconhecer a verdadeira natureza da realidade. Fala, ação e modo de ganhar a vida perfeitos incentivam a confiança, a fim de que também os outros possam praticá-los. Os últimos três fatores da senda, esforço, atenção e serenidade perfeitos, são antagônicos às manchas mentais. Ao praticar-se a Nobre Óctupla Senda com persistência, ingressa-se na Senda do Desenvolvimento (Bhavanamarga), onde as manchas a serem destruídas pelo desenvolvimento da mente são verdadeiramente exterminadas. Quando tal senda tiver-se tornado bastante forte, ao final de sua prática, esta experiência receberá a denominação de "a serenidade assemelhada ao estado adamantino" (vajropama-samadhi). É através desta serenidade que a pessoa ingressa no Vimuktimarga ou Senda da Libertação, tornando-se assim um Arhat *.)


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Nirvana - Sidharta Gautama



O Nirvana


Aquele que experimentou a verdade, a iluminação, o nirvana é o mais feliz de todos os seres. 
Acha-se livre de todos os complexos, obsessões, aflições, medos e tormentos. 
Sua saúde mental é perfeita. 
Não se arrepende do passado nem se preocupa com o futuro, mas vive completamente no presente.
Portanto, aprecia todas as coisas e desfruta delas no sentido mais puro, sem autoprojeções. 
É feliz, desfruta de vida pura, suas faculdades estão satisfeitas, 
está livre da ansiedade, é sereno e pacífico. 
Por estar livre de todos os desejos egoístas, 
do ódio, do ressentimento, do orgulho,
assim como de outras máculas similares,
é puro e não tem manchas que aviltam o seu viver, 
está repleto de amor universal, compaixão, bondade, simpatia, compreensão e tolerância. 
Convive com seus semelhantes, com a maior de todas as atitudes – a pureza, 
pois não pensa só em si. 
Não busca nenhuma satisfação, não acumula nada.
Ao contrário, distribui seus bens interiores; 
os pensamentos que são sempre divinos são repartidos irmanamente com todos os seus semelhantes. 
Está livre da ilusão de um “eu”, da sede que tudo gera e do vir-a-ser.
Seu viver é uma constante integral. 
Completa união com a vida, com o que vive: seja do reino animal, vegetal ou mineral. 
Há uma consonância, uma correspondência entre o que fala e o que vive. 
Seus exemplos espelham um viver são e feliz que enriquecem interiormente aqueles que com ele aprendem.
Sua bandeira é a verdade e com ela ilumina o mundo e as pessoas sentem-se felizes com sua proximidade.
Seu ensinamento é o verdadeiro caminho que, ao trilhado, torna os homens mais próximos da integridade de tudo.

Sidarta Gautama

Obtido em:
ROCHA, Antonio C. A Sabedoria de Sidarta - O Buda. Ediouro

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Amor Universal - Buda



O Amor Universal - Buda

Este sutra ou sermão é uma grande oração que pode ser considerada o "sermão da montanha" do budismo. Também é conhecida como perfeito talismã. Vem sendo repetida há mais de 2.500 anos, e possui muita força. Conta-se que um grupo de monges foi meditar na floresta, mas não conseguiu porque os maus espíritos estavam atrapalhando, então o Buda lhes ensinou a referida mensagem, desta forma permitiu que estes pudessem meditar tranquilamente. Esta oração pode ser feita pela manhã ao acordar, ou à noite na hora de dormir, e é um auxílio constante sempre que a angústia, o sofrimento e a incerteza baterem à nossa porta... (Em: A Sabedoria de Gautama, o Buda - Ediouro)

O Amor Universal - Buda

Eis aqui como se deve ser aquele que é sábio, busca o bem e alcançou o estado de paz:
Que seja aplicado, reto, perfeitamente reto, dócil, amável, humilde;
que esteja alegre e facilmente satisfeito;
que não se deixe submergir pelos assuntos do mundo, nem com o fardo das riquezas materiais;
que domine seus sentidos; que seja justo, mas não arrogante
e não se apegue demasiadamente ao que é inerente ás questões familiares.
Que não faça nada de mesquinho ou algo que os sábios possam censurar
Que todos os seres sejam felizes
Que todos os seres estejam afortunados e livres completamente de todo dano
Que toda coisa viva: débil ou forte, larga mediana ou grande, curta ou pequena,
visível ou invisível, nas proximidades ou bem longe,
nascida ou ainda por nascer,
que todos esses seres sejam felizes
Que nada nem ninguém decepcione uma outra pessoa, nem despreze a quem quer que seja, no mínimo detalhe;
que ninguém, seja por cólera, ódio, raiva ou vingança, deseje mal a um outro ser.
Assim como uma mãe proteje e vigia até com o sacrifício de sua vida o seu único filho,
desta forma, com um pensamento ilimitado devemos amar a todos os seres vivos,
amar o mundo em toda a sua totalidade, acima, abaixo, em torno de si, sem limitação alguma, com absoluta bondade e infinita benevolência.
E estando de pé ou caminhando, sentado ou recostado, estando desperto ou não,
todos devemos cultivar estes pensamentos e isto é chamado viver de maneira suprema.
havendo abandonado as opiniões errôneas, estando dotado de visão profunda, virtuoso
e livre dos apetites dos sentidos,
aquele que atingiu a perfeição não conhecerá mais o nascimento.

Sutra do diamante


O Sutra Diamante (Vajracchedika-prajñāpāramitā-sūtra - o Lapidador da Sabedoria Transcendental), de 868, é o mais velho livro impresso no mundo. É um texto sagrado budista impresso a partir de blocos de madeira em folhas de papel (xilogravura) , reunidas em códices. Foi encontrada em 1907 pelo arqueólogo Marc Aurel Stein em uma caverna fechada em Dunhuang, no nordeste da China. Essa caverna é conhecida como a "Caverna dos Mil Budas"

O Sutra do Diamante
(Vajracchedika Prajna Paramita)
Traduzido do Ingl�s por Chuan Yuan Shakya




(1) Assim eu ouvi. Uma manhã, quando o Buddha estava perto de Shravasti no bosque de Jeta, Ele e Sua comunidade de mil duzentos e cinquenta monges foram à cidade para mendigar sua refeição matinal; e depois que voltaram e terminaram a refeição, deixaram de lado seus robes e tigelas e lavaram seus pés. Então o Buddha sentou-se e os outros sentaram diante dele.

(2) Do meio da assembléia levantou-se o Venerável Subhuti. Ele descobriu seu ombro direito, ajoelhou-se sobre a perna direita, e, juntando as palmas das mãos, inclinou-se diante do Buddha. "Senhor," ele disse, "Tathagata! Honrado-por-todo-o-mundo! Que maravilhoso é que sejamos protegidos e instruídos pela Sua misericórdia! Senhor, quando homens e mulheres anunciam que desejam seguir o Caminho do Bodhisattva e nos perguntam como devem proceder, que devemos dizer-lhes?

(3) Bom Subhuti," respondeu o Buddha, "sempre que alguém anuncia, `Eu quero seguir o Caminho do Bodhisattva porque quero salvar todos os seres sencientes; e não importa se são criaturas formadas em um útero ou chocadas em ovos; se seus ciclos de vida são tão observáveis como os de minhocas, insetos e borboletas; ou se aparecem miraculosamente como cogumelos ou deuses; ou se são capazes de pensamentos profundos ou de nenhum pensamento, faço o voto de conduzir cada um dos seres ao Nirvana!' então, Subhuti, deves lembrar o que tomou os votos que mesmo que um tal incontável número de seres fosse assim libertado, na verdade nenhum ser seria libertado. Um Bodhisattva não se apega à ilusão de uma individualidade ou entidade egóica ou a uma identificação pessoal. Na verdade, não existe qualquer "eu" que liberta e nenhum "eles" que são libertados.

(4) "Além disso, Subhuti, um Bodhisattva deveria ser desapegado de todos os desejos, sejam de ver, ouvir, cheirar, tocar ou degustar qualquer coisa, ou seja o de levar multidões à iluminação. Um Bodhisattva não prova da ambição. Seu amor é infinito e não pode ser limitado por apegos ou ambições pessoais. Quando o amor é infinito seus méritos são incalculáveis.

"Diga, Subhuti, podes medir o céu oriental?"

"Não, Senhor, não posso."

"Podes medir o espaço que fica ao Sul, Oeste, Norte ou mesmo para baixo ou para cima?"

"Não, Senhor, não posso."

"Nem podes medir os méritos de um Bodhisattva que ama, trabalha e dá sem desejo ou ambição."

"Bodhisattvas deveriam prestar atenção particular a esta instrução."

(5) "Subhuti, o que achas? É possível descrever o Tathagata? Pode Ele ser reconhecido por características materiais?"

"Não, Senhor, não é possível submeter o Tathagata a diferenciações ou comparações." Então o Senhor disse, "Subhuti, na fraude do Samsara, todas as coisas são vistas como diferentes ou com diferentes atributos, mas na verdade do Nirvana nenhuma diferenciação é possível. O Tathagata não pode ser descrito."

"Quem quer que perceba que todas as qualidades não são, na verdade, qualidades determinadas percebe o Tathagata."

(6) Subhuti perguntou ao Buddha, "Honrado-pelo-mundo, sempre haverá homens que compreendem este ensinamento?"

"O Senhor respondeu, "Subhuti, não duvides disso! Sempre haverá Bodhisattvas virtuosos e sábios; e, em eras por vir, estes Bodhisattvas plantarão suas raízes de mérito sob muitas árvores Bodhi. Receberão este ensinamento e responderão com serena fé porque sempre haverá Buddhas para inspirá-los. O Tathagata os verá e os reconhecerá com seu olho-Búddhico porque nestes Bodhisattvas não haverá obstruções, nem percepção de um eu individual, nenhuma percepção de um ser separado, nenhuma percepção de uma alma, nem de uma pessoa. E estes Bodhisattvas também não vão perceber as coisas como tendo qualidades próprias nem como sendo destituídas de qualidades próprias. Nem vão discriminar entre bem e mal. A discriminação entre boa e má conduta deve ser usada como se usa um barco. Depois que deixa aquele que cruzou a corrente no outro lado, deve ser abandonado."

(7) "Diga, Subhuti, O Tathagata conseguiu a Perfeita Iluminação que Transcende Comparações? Se assim é, há algo sobre ela que o Tathagata pode ensinar?"

"Subhuti respondeu, "Da maneira como entendo o ensinamento ele não pode ser ensinado e não pode ser atingido ou compreendido e nem pode ser ensinado. Por quê? Porque o Tathagata disse que a Verdade não é uma coisa que pode ser diferenciada ou contida e então a Verdade não pode ser compreendida ou expressada. A Verdade nem é e nem não é."

(8) Então o Senhor perguntou, "Se alguém enchesse três mil galáxias com os sete tesouros - ouro, prata, lápis-lazuli, cristal, ágata, pérolas vermelhas e cornalina - e desse tudo o que possuísse como esmola ou caridade, ganharia grande mérito?"

Subhuti respondeu, "Senhor, grande mérito, de fato, caberia a ele ainda que, na verdade, ele não tenha uma existência separada à qual o mérito pudesse ser associado."

Então o Buddha disse, "Suponha que alguém entendesse apenas quatro linhas do nosso Discurso mas ainda assim resolvesse se dar ao trabalho de explicar estas linhas para alguém mais; então, Subhuti, seu mérito seria maior que o do doador de esmolas. Por quê? Porque este Discurso pode produzir Buddhas! Este Discurso revela a Perfeição da Iluminação que Transcende Comparações!

(9) "Diga, Subhuti. Um discípulo que começa a cruzar a corrente diz a si mesmo, `Eu mereço as honras e recompensas de alguém que começou a cruzar a corrente'?"

"Não, Senhor. Alguém que realmente esteja entrando na corrente não pensa em si mesmo como uma ego-entidade isolada que possa merecer qualquer coisa. Apenas aquele discípulo que não vê diferença entre si mesmo e os outros, que não dá importância a nome, forma, som, odor, gosto, tato ou qualquer qualidade pode ser chamado um daqueles que entraram na corrente."

"Um adepto que esteja sujeito a apenas um renascimento mais diz a si mesmo, `Eu mereço as honras e recompensas de alguém que só renascerá uma vez mais'?"

"Não, Senhor. `Um que renascerá uma só vez mais' é apenas um nome. Não há falecimento ou volta à existência. Apenas quem compreende isto pode ser chamado um adepto."

"Um Venerável que nunca mais terá que nascer como um mortal diz a si mesmo, `Eu mereço as honras e recompensas de alguém que não mais retornará'?"

"Não, Honrado-pelo-mundo. `Alguém que não retornará' é apenas um nome. Não existem o retornar ou o não-retornar."

"Diga, Subhuti. Um Buddha diz a si mesmo, `Eu atingi a perfeita Iluminação'?"

"Não, Senhor. Não há nada como uma Iluminação Perfeita a se obter. Senhor, se um Buddha Perfeitamente Iluminado dissesse a si mesmo, `tal sou eu' ele estaria admitindo a existência de uma identidade individual, um eu e uma personalidade separadas e neste caso não seria um Buddha Perfeitamente Iluminado.

"Ó, Honrado-pelo-mundo! Havíeis declarado que eu, Subhuti, me distingui entre teus discípulos no conhecimento da bem-aventurança do samadhi, em viver perfeitamente contente e satisfeito em reclusão, e em ser livre das paixões. Ainda assim não digo a mim mesmo que o sou pois se pensasse em mim mesmo como tal então não seria verdade que escapei da ilusão do ego. Sei que na verdade não há Subhuti e portanto Subhuti não reside em qualquer lugar, que ele não conhece e nem ignora a bem-aventurança, e que não é livre e nem escravo das paixões.

(10) O Buddha disse, "Subhuti, que pensas? No passado, quando o Tathagata estava com Dipankara, o Completamente Iluminado, Ele aprendeu algo dele?"

"Não, Senhor. Não há algo como uma doutrina a ser aprendida."

"Subhuti, saibas também que se qualquer Bodhisattva dissesse, `Eu vou criar um paraíso', ele estaria mentindo. E porquê? Porque um paraíso não pode ser construído nem destruído.

"Saibas então, Subhuti, que todo o Bodhisttva, maior ou menor, deveria experimentar a pura mente que vem depois da extinção do ego. Tal mente não discrimina e faz julgamento de som, gosto, toque, odor, ou qualquer qualidade. Um Bodhisattva deveria desenvolver uma mente que não forma qualquer apego ou aversão a qualquer coisa.

"Suponhas que um homem fosse dotado de um corpo enorme, tão grande que tivesse a presença pessoal como a de Sumero, o rei das montanhas. Sua existência pessoal seria grande?"

"Sim, Senhor. Seria grande, mas `existência pessoal' é apenas um nome. Na verdade, ele nem existiria e nem não existiria."

(11) "Subhuti, se houvesse tantos rios Ganges quanto há grãos de areia no rio Ganges, o total de grãos seria grande?"

"Grande, de fato, Honrado-por-todo-o-mundo. Seria mais fácil contar todos os rios Ganges, do que contar o total combinado de grãos de areia neles todos!"

"Subhuti, vou te contar uma grande verdade. Se alguém enchesse três mil galáxias com os sete tesouros para cada grão de areia em todos esses rios Ganges e desse isso tudo como esmola ou caridade, ganharia muito mérito?"

"Muito mérito, certamente, Senhor."

Então o Buddha declarou, "No entanto, Subhuti, se alguém estudasse nosso Discurso e entende apenas quatro linhas dele mas então explica essas quatro linhas para alguém mais, o mérito consequente seria muito maior."

(12) "Além disso, Subhuti, onde quer que aquelas quatro linhas sejam proclamadas, aquele lugar deveria ser venerado como um Santuário do Buddha. E a veneração seria proporcional ao número de linhas explicadas!

"Qualquer um que compreenda e explique este Discurso em sua totalidade consegue a mais alta e mais maravilhosa de todas as verdades. E onde quer que esta explicação é dada, lá, naquele lugar, deverias te conduzir como se estivesses na presença do Buddha. Em tal lugar deverias te curvar e oferecer flores e incenso."

(13) Então Subhuti perguntou, "Honrado-por-todo-o-mundo, por que nome deveria este Discurso ser conhecido?"

O Buddha respondeu, "Este Discurso deveria ser conhecido como o Vajracchedika Prajna Paramita - o Lapidador da Sabedoria Transcendental - porque é o Ensinamento que é duro e afiado e corta a concepção errada e a ilusão."

(14) Neste ponto o impacto do Dharma levou Subhuti a derramar lágrimas. Então, enquanto limpava a face, ele disse, "Senhor, que precioso é que pronunciastes este profundo Discurso! Já faz muito tempo que meu olho da sabedoria foi aberto pela primeira vez; mas desde aquele dia até hoje nunca havia ouvido uma explicação tão maravilhosa da natureza da Realidade Fundamental."

"Senhor, sei que por muitos anos ainda haverá homens e mulheres que, sabendo do nosso Discurso, o receberão com fé e entendimento. Serão livres da idéia de uma entidade-ego, livres da idéia de uma alma pessoal, livres da idéia de um ser individual ou existência separada. Que realização memorável essa liberdade será!"

(16) "Subhuti, apesar de neste mundo ter havido milhões e milhões de Buddhas, e todos tendo muito mérito, o maior mérito de todos virá àquele homem ou mulher que, quando nossa Época Búddhica chegar próxima ao seu fim no período dos últimos quinhentos anos, receber este discurso, considerá-lo, tiver fé nele, e então explicá-lo a alguém mais, resgatando assim nossa Boa Doutrina do colapso final."

(17) "Senhor, como então deveríamos instruir aqueles que querem tomar o voto do Bodhisattva?"

"Diga a eles que se quiserem chegar à Perfeita Iluminação que Transcende Comparações eles devem estar decididos em suas atitudes. Devem estar determinados a libertar cada ser vivente mas devem entender que na verdade não há seres vivos individuais ou separados."

"Subhuti, para ser chamado um Bodhisattva na verdade, um Bodhisattva deve ser completamente destituído de quaisquer concepções de um si mesmo."

(18) "Diga, Subhuti, o Tathagata tem o olho humano?"
"Sim, Senhor, Ele tem."
"E o Tathagata tem o olho divino?"
"Sim, Senhor, Ele tem."
"E o Tathagata possui o olho gnóstico?"
"Sim, Honrado-por-todo-o-mundo."
"E Ele possui o olho da sabedoria transcendental?"
"Sim, Senhor."
"E o Tathagata possui o olho-Búddhico da onisciência?"
"Sim, Senhor, Ele o tem."


"Subhuti, apesar de haver incontáveis Terras Búddhicas e incontáveis seres com diferentes mentes nessas Terras Búddhicas, o Tathagata compreende a todos com sua Mente que Tudo Abarca. Quanto às suas mentes, são meramente chamadas de `mente.' Tais mentes não têm existencia real. Subhuti, é impossível reter a mente do passado, impossível reter a mente do presente, e impossível apreender a mente do futuro porque em nenhuma de suas atividades a mente tem substância ou existência."

(32) "E finalmente, Subhuti, novamente saibas que se um homem desse tudo o que tem - tesouros suficientes para encher incontáveis mundos - e outro homem ou mulher acordasse para o puro pensamento da Iluminação e tomasse apenas quatro linhas deste discurso, as recitasse, considerasse, compreendesse e então, para o benefício de outros, as distribuísse e explicasse, o mérito deste ou desta seria o maior de todos.
"Agora, como deveria ser a maneira de um Bodhisattva explicar estas linhas? Deveria ser desapegado das coisas fraudulentas do Samsara e deveria permanecer na verdade eterna da Realidade. Deveria saber que o ego é um fantasma e que tal ilusão não precisa persistir por muito tempo.

"E assim ele deve ver o mundo impermanente do ego -
Como uma estrela cadente, ou a vaidosa Vênus ofuscada
pela Aurora,
Pequena bolha na água corrente, um sonho,
A chama de uma vela, que tremula e se vai."


Quando o Buddha terminou, o Venerável Subhuti e os outros na assembléia se encheram de alegria com o ensinamento dEle; e, recebendo-o sinceramente em seus corações, tomaram seus caminhos."


        * Uma versão abreviada. As seções 19 a 31 foram omitidas porque repetiam seções anteriores. O capítulo 17 foi omitido pelo tradutor para o Inglês, Edward Conze, porque, nas suas palavras: "No capítulo 17 o Sutra volta ao começo. A questão do capítulo 2 é repetida, do mesmo modo como a resposta do capítulo 3. 17-a-d sucessivamente considera os estágios da carreira de um Bodhisattva, exatamente como os capítulos 3 a 5, e novamente o capítulo 10 o fez. Com a ausência de uma real entidade para sua principal idéia, o capítulo 27 novamente cobre terreno antigo.. O 17a corresponde ao 3; 17b ao 10a; 17d ao 7, 14g ao final do 8; 17e ao 10c, e o 17g ao 10b."

http://xuyun.zatma.org/Portuguese/Dharma/Sruti_Smriti/Sutras/Prajanaparamita.html