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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Alma enamorada - São joão da Cruz



Alma Enamorada

A alma que está enamorada de Deus
não pretende vantagem ou prêmio algum
a não ser perder tudo e a si mesma
voluntariamente, 
por Deus,
e nisto encontra todo o seu lucro.
O morrer é lucro.
Quando uma alma no caminho espiritual
chegou a ponto de perder-se
de todas as vias e modos naturais
de proceder em suas relações com Deus,
e não mais O busca por meio de considerações,
ou formas, 
ou sentimentos,
ou quaisquer outros intermediários de criaturas ou sentidos,
mas ultrapassou tudo isto,
bem como toda a sua maneira pessoal,
tratando com Deus
e Dele gozando puramente em fé e amor,
então podemos dizer que, 
na verdade,
esta alma ganhou a seu Deus;
porque está verdadeiramente perdida a tudo quanto não é Ele,
e a tudo quanto ela é em si mesma.

São João da Cruz

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poemas - Savitri - Excerto - Sri Aurobindo


Se no Vazio sem significado a criação surgiu.
Se de uma força inconsciente a Matéria nasceu.
Se a vida pode se erguer na árvore inconsciente.
E o encanto verde penetrar nas folhas esmeraldinas.
E seu sorriso de beleza desabrochar na flor.
E a sensação pode despertar no tecido, no nervo e na célula.
E o Pensamento apossar-se da matéria cinzenta do cérebro.
E a alma espiar de seu esconderijo através da carne.
Como não poderá a luz ignota se lançar sobre o homem.
E poderes desconhecidos emergirem do sono da Natureza?
Mesmo agora insinuações de uma Verdade luminosa como estrelas,
Erguem-se no esplendor da mente lunar da ignorância;
Mesmo agora o toque imortal do Amante sentimos,
Se a porta da câmara apenas estiver entreaberta,
O que então pode impedir Deus de furtar-se para dentro,
Ou quem pode proibir seu beijo na Alma adormecida?

Sri Aurobindo

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Poemas - Forma - Sri Aurobindo


Forma

Oh adorador do infinito sem forma,
Não rejeites a forma, é Ele quem vive nela.
Cada finito é essa Infinitude
Sua velada alma de puro deleite entesourada.
A Forma, em seu coração de recôndito silêncio
Esconde o significado de Seu mistério,
A Forma é a morada assombrosa da eternidade,
Uma caverna do Imortal Eremita.

Há uma beleza nas profundezas de Deus,
Há um milagre do Maravilhoso
Que constrói o universo para sua habitação.
O Uno, em Sua glória inumerável,
Explodindo em forma e cor como uma rosa,
Compele as grandes pétalas do mundo a se abrirem.

Sri Aurobindo

domingo, 8 de julho de 2012

Nosso supremo lar - Sufi


A terra de nosso supremo lar
É uma terra de flores sem espinhos:
Não se permitem ali as atras florestas do medo
Nem se semeia jamais a Dor.

O riacho do amor corre ali sem cessar,
A criação é um deslumbramento
E visões celestiais consolam a terra
Enquanto torrentes imemoriais alegram os olhos.

Ali toda oração é auto-suficiente,
Ninguém regateia dádivas,
A vida é feita de verdade,
E desconhece a máscara da ilusão.

Proscrito está o egoísmo,
E vedados os pensamentos personalizados,
Senhor algum governa, servo algum obedece,
Sombra alguma empana a Divina Luz.

Não é um arroubo poético
Esse mundo de amor e êxtase
Que, no fundo de cada coração,
Espera apenas ser descoberto.

Poema sufi - Dilip Kumar Roy - Peregrinos das estrelas

terça-feira, 26 de junho de 2012

O grande rio passa silencioso - Buda




Aprende isto no curso da torrente:
No barranco ou no abismo da montanha,
Os riachos correm com grande ruído
o grande rio passa silencioso.

Bem fortemente ressoa a caixa vazia:
o que está cheio está sempre calmo;
assim, um vaso cheio até a metade é o tolo,
assim, um lago cheio é o sábio.
...
Aquele que sabe, cujo eu está domado,
embora conhecendo, fala pouco:
esse sábio estima a sabedoria
Esse sábio obtém também a sabedoria.

Buda - Suttanipata - 720-723

quarta-feira, 9 de maio de 2012

poemas - William Blake - À manhã



À manhã

Ó sagrada virgem, de alvura adornada.
Abre os dourados umbrais do céu e sai,
Desperta a aurora inebriada no azul,
deixa a luz emergir de sua morada no leste
e esparge o suave orvalho que vem com o novo dia.
Ó luminosa manhã, saúda o sol
que qual um caçador cedo se levanta
e se alça sobre nossas colinas.
Escuta o Beija-flor, que a canção da primavera entoa
e a suave Cotovia, no terno ramo pousada 
que na aurora sibilante surge sobre os ondulantes trigais
regendo os refulgentes corais do sol,
trina, trina, trina,
deslizando nas asas da luz,
Escoando através do azul imenso
da concha celestial.

William Blake, com 11 anos

domingo, 6 de maio de 2012

poemas - Yunus Emre



Busca-O em teu mundo

Ainda que o mundo esteja impregnado de Deus,
ninguém alcança ver Seu mistério.
Se queres vê-Lo, busca-O em teu mundo,
descobrirás então que Ele não está distante.
Esta terra sobre a qual caminhas,
esta comida com que te alimentas,
se crês que são tuas, te equivocas.
O outro mundo se acha fora de minha vista,
a virtude é o que fica neste mundo.
A dor da ausência é demasiado amarga,
ninguém voltou uma vez que partiu,
mas o que vem a este vale partirá, sem remédio;
todo ser humano desta bebida tomará.
A vida é uma longa ponte
pela qual passam todos, velhos ou jovens;
pois vinde, vamos ser amigos,
a vida será mais fácil para nós,
amemos e que nos amem todos,
pois este mundo não fica para ninguém.
Se escutas e entendes as palavras de Yunus,
seguramente as aproveitarás:
este mundo não fica para ninguém.

Yunus Emre

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Poemas - Ibn Al-Farid


Bebemos à memória do Bem-amado
Um vinho que nos embriagou antes da criação da vinha.
É uma limpidez e não é água;
É uma fluidez e não é ar;
É uma luz sem fogo;
e um espírito sem corpo...
Não tenho senão minha alma;
Aquele que dá sua alma por amor não é pródigo.
Se minha destruição deve unir-me a Ti,
Oh!, faze que ela venha;
Que eu seja o teu resgate...
Tu tomaste meu coração, que é uma parte de mim.
Por que não tomas também o que sobrou de mim?
Não é completo o amor que deixa
 uma gota de sangue sequer no Bem-amado...
Foi um relâmpago que brilhou na planície,
ou foi Leila que, ao retirar seu véu,
Transformou o crepúsculo em aurora?
O amor é toda a vida.
É teu destino (e tua razão de ser) viver por ele e dele morrer.

Ibn Al-Farid

segunda-feira, 26 de março de 2012

Poemas - Hafiz - Uma raiz em cada ato e criatura



Os olhos do sol estão pintando campos novamente.
Suas chicotadas com golpes precisos
são arrebatadoras através da terra.

Uma grande paleta de luz abraçou esta terra.

Hafiz, se apenas um pouco de argila e água
Misturados na tigela Dele
Pode produzir tais requintados aromas, vistas,
Músicas e formas rodopiantes,

Que maravilhas indizíveis devem aguardar com
O começo da revelação
Do infinito número de pétalas
Que é a alma.

Que emoção irá renovar o seu corpo
Quando todos começarmos a ver
Que o coração Dele reside em Tudo?

Deus tem uma raiz em cada ato e criatura
das quais Ele extrai sua misteriosa vida Divina.

Os olhos Dele estão pintando campos novamente.

O amado com Suas próprias mãos está cuidando,
Emergindo como uma criança preciosa,
Ele mesmo em você.

Hafiz

Postado por: http://ricardo-yoga.blogspot.com.br

Poemas - O que foi dito pra rosa - Rumi


O que foi dito pra rosa e que a fez abrir-se,
Foi dito a mim aqui no meu peito.

O que foi dito para o pinheiro que o fez forte e alto,
O que foi sussurrado para o jasmim, para ele ser o que é,
O que quer que tenha feito a cana de açúcar doce,
O que quer que tenha sido dito para os habitantes da cidade
De Chigil no Turquistão, que os fez tão lindos,
O que quer que faça a flor da romã ficar corada como uma face humana,
Foi dito pra mim agora, e eu fico corado.
O que quer que ponha eloquência na linguagem, isso está acontecendo aqui.

As grandes portas do armazém se abrem
E eu sinto gratidão,
Mastigando um pedaço de cana de açúcar e
Apaixonado por Aquele a quem tudo isso pertence.

Rumi

Postado por http://ricardo-yoga.blogspot.com.br/

segunda-feira, 19 de março de 2012



Quando por fim me perco em Ti, meu Deus,
 Vejo e sei então,
 Que todo Teu universo revela a Tua beleza,
 Todos os seres vivos, e todas as coisas sem vida,
 Existem através de Ti.

 Todo este vasto mundo é apenas a forma
 na qual mostras a Ti mesmo a nós,
 É apenas a voz
 Na qual falas a Ti mesmo para nós.

 Qual a necessidade de palavras?
 Venha, Mestre, venha,
 E preencha-me totalmente com Ti.

 Leva, Senhor, para Ti
 Meu sentido de ser e faça-o esvair-se completamente.

 Leva, Senhor, minha vida,
 Vivas Tu minha vida através de mim.

 Não vivo mais, Senhor
 Mas agora em mim
 Tu vives.
 Sim, entre Tu e eu, meu Deus,
 Não há mais espaço para “eu” e “meu”.

 Tukaram

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Poemas - Kabir Das



Aquele que é humilde e contentado,
que tem uma visão equânime,
cuja mente está preenchida
com a plenitude da aceitação e do repouso;

Aquele que viu a Ele e tocou-lhe,
é liberado de todos os medos e problemas.

Para ele o pensamento perpétuo de Deus
é como pasta sândalo espalhada no corpo,
para ele não há deleite em nada mais,

seu trabalho e seu descanso são preenchidos com música:
ele exala por toda parte o esplendor do amor.

Kabir diz:

"toque os pés daquele que é um e indivisível, imutável e pacífico,
que preenche todos os frascos até a borda com alegria
e cuja forma é amor".

Postado por: http://ricardo-yoga.blogspot.com

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Morrei de amor - Rumi



Morrei, morrei, de tanto amor morrei,
morrei, morrei de amor e vivereis.

Morrei, morrei, e não temeis a morte,
voai, voai bem longe, além das nuvens.

Morrei, morrei, nesta carne morrei,
é mero laço, a carne que vos prende!

Vamos, quebrai, quebrai esta prisão!
Sereis de pronto príncipes e emires!

Morrei, morrei aos pés do Soberano:
e assim sereis ministros e sultões!

Morrei, morrei, deixai a triste névoa,
tomai o resplendor da lua cheia!

O silêncio é sussurro de morte,
e esta vida é uma flauta silente.

Djalal Ud-din Rumi

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

poesia - por onde o sol andar



O amor é como um laço
Entre os céus e a terra
Brilha onde o sol não chega

Tem as chaves que abrem o coração
Daquele que navega nesse mar de ilusão

Sinta a ventania que me carrega
Para longe desse deserto de pedra
Onde a noite espera

O amor fez nascer
As flores do cantar
Me leva por onde o sol andar

WDS

Para Kátia Batista

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Rumi - Trecho do Masnavi



Levanta-te, ó filho! Rompe tuas cadeias e sê livre!
Quanto tempo serás cativo da prata e do ouro?
Embora despejes o oceano em teu cântaro,
Este não pode conter mais que a provisão de um dia.
O cântaro do desejo do ávido nunca se enche,
A ostra não se enche de pérolas até a saciedade;
Somente aquele cuja veste foi rasgada pela violência do amor
Está inteiramente puro, livre de avidez e de pecado.
A ti entoamos louvores, ó Amor, doce loucura!
Tu que curas todas as nossas enfermidades!
Que és médico de nosso orgulho e presunção!
Tu que és nosso Platão e nosso Galeno![1]
O amor eleva aos céus nossos corpos terrenos,
E faz até os montes dançarem de alegria!
Ó amante, foi o amor que deu vida ao Monte Sinai,
Quando "o monte estremeceu e Moisés perdeu os sentidos".
Se meu Amado apenas me tocasse com seus lábios,
Também eu, como a flauta, romperia em melodias.
Mas aquele que se aparta dos que falam sua língua,
Ainda que tenha cem vozes, é forçosamente mudo.
Depois que a rosa perde a cor e o jardim fenece,
Não se ouve mais a canção do rouxinol.
O Amado é tudo em tudo, o amante, apenas seu véu;
Só o Amado é que vive, o amante é coisa morta.
Quando o amante não sente mais as esporas do Amor,
Ele é como um pássaro que perdeu as asas.
Ai! Como posso manter os sentidos,
Quando o Amado não mostra a luz de Seu semblante?
O Amor quer ver seu segredo revelado,
Pois se o espelho não reflete, de que servirá?
Sabes por que teu espelho não reflete?
Porque a ferrugem não foi retirada de sua face.
Fosse ele purificado de toda ferrugem e mácula,
Refletiria o brilho do Sol de Deus.

Rumi


[1] GALENO: um dos pilares da medicina, cuja doutrina foi difundida pelos árabes na Idade Média.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Poemas - Kabir

Ele é ao mesmo tempo o limitado e o sem limites:
e mais além tanto do limitado quanto do ilimitado
encontra-se Ele, o Puro Ser.
Ele é o Espírito imanente em Brahma e na criatura.
A Alma Suprema está no interior da alma;
O Ponto, interno à Alma Suprema;
E dentro do Ponto encontra-se a imagem outra vez.
Abençoado é Kabir, porque tem essa suprema visão

Kabir

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Poemas - Kabir Das



LXXVI

ABRE teus olhos de amor, e contempla
Aquele que permeia todo este mundo!
Observa-o bem, e reconhece teu próprio país.
Quando encontrares o verdadeiro Guru,
Ele despertará teu coração;
Ele te revelará o segredo do amor
e do desprendimento, e então,
sem dúvida nenhuma saberás
que Ele transcende este universo.
Esse mundo é a Cidade da Verdade, o labirinto
de seus caminhos fascina o coração:
Podemos alcançar nosso destino sem jamais
percorrer a estrada, tal é o jogo sem fim.
Onde o círculo de múltiplas alegrias
gira à sua volta continuamente,
aí a Felicidade Eterna engendra lances.
Quando conhecermos isto, estará terminado
todo nosso esperar e recusar.
Então deixará de nos queimar o fogo da cupidez.
Ele é o repouso Último e Infinito:
Ele espalhou as formas de seu amor
pelo mundo inteiro.
Dessa Luz que é Verdade, torrentes
de novas formas emergem perpetuamente;
e Ele permeia essas formas.
Todos os bosques e jardins e alvoredos sobejam
flores, e o ar estala em cascatas de alegria.
Que maravilhosa trama o cisne avança aí!
Os sons da música não tocada turbilhonam
à volta da Infinita Verdade.
Brilha no centro o trono do ilimitado,
onde repousa o grandioso Ser.
Milhares de sóis empalidecem, envergonhados
ante o fulgor de um só pelo de Seu corpo.
Que doces melodias deixa escapar
a harpa do caminho!,
suas notas transpassam o coração:
Aí a fonte eterna combina sem cessar 
os eflúvios vitais do nascimento e da morte.
Como podem chamar Nada àquele que é a Verdade
das verdades?, Àquele no qual 
encontra-se todas as verdades!

Em seu interior, evolui a criação,
e isso está além de qualquer filosofia,
pois filosofia nenhuma pode alcançá-Lo:
Existe um mundo infinito, ó irmão!
e encontra-se aí o Ser Sem Nome,
do qual nada se pode dizer.
Esse mundo é conhecido apenas daquele
que de fato o alcançou:
é diverso de tudo o que já se disse e ouviu.
Lá não se conhece nem forma, nem corpo,
nem extensão: como posso explicar-te o que é?
Trilha o Caminho do Infinito aquele sobre o qual
recaem as graças do Senhor: liberta-se
da vida e da morte aquele que O alcança.
Kabir diz: "Não se traduz em palavras saídas
dos lábios, não se pode escrever em papel:
É como se um mudo provasse uma iguaria:
como poderia explicá-la?

Kabir

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Todo interno - Juan Ramón Jimenez



Cheguei a uma terra de chegada.
Esperavam-me os teus, deus desejado; esperavam-me os meus
que, em meu ansiar de tantos anos teus, me esperaram contigo,
contigo te esperaram.

E que luz entre eles: 
num sol zenital imprevisto, entre o choro e o sorriso,
sobre uma aurora com suas torres frente ao rubro,
numa noite de encanto desejar,
numa tarde de crepúsculo alongado,
entre o meio dia de chumbo protetor
por uma madrugada com névoa e uma estrela!

Que luz entre os olhos, lábios, mãos;
que primavera do pulsar;
que tu entre eles, em nós Tu;
que luz, que perspectivas
de peito e fronte (jovem, velho, menino);
que cantar, que dizer,

que abraçar, que beijar;
que elevação de ti em nós
até chegar a ti,
a este tu que sobre ti pões
para que todos cheguem pela escada de carne e alma
à consciência desvelada que é o astro
que acumula e completa, em unificação,
todos os astros no todo eterno!

O Todo eterno que é o todo interno.


Juan Ramón Jimenez

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Re-Voar



Re-Voar

Mil pássaros voavam ao redor do céu amigo
E apenas um deixou de bater as asas para lá e para cá
Pousou em meu colo e entoou uma canção

Ela dizia aos meus ouvidos: vem voar comigo
Deixa este céu cheio de pássaros e vamos para a floresta brincar
De ser o que somos, eu com minhas asas e tu com teu violão

Cantaremos melodias às sementes que germinarão,
Às estrelas solitárias e distantes na imensidão
E aos que se calam e vivem em vão

Cantei . E meu coração chorou de alegria
De ver que a poesia que estava guardada em mim
Voou junto com aquela melodia e me tirou da escuridão

Vem passarinho! Cantaremos juntos e faremos dançar
as pedras, as montanhas, os bosques e o mar
Com tua melodia e minha voz, no vento, a bailar

E o Amor por onde o céu mandar
E a paixão por onde conseguirmos voar
Serão nossas asas a nos impulsionar

WDS

Para Kátia Batista

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O poeta pobre - Hafiz

A inconstância reina soberana.
São raras hoje, as provas de amizade fiel.
Os homens sérios vêem-se reduzidos a estender aos indignos a mão leal.
Na imensa dor do mundo,
o homem de bem não conhece um instante de repouso ao seu sofrimento.
Que o poeta faça um canto claro como o vinho,
um canto que derrame no coração uma onda de alegria.
O avarento e o guloso não lhe atirarão sequer uma espiga sem grãos,
a ele que pode cantar as melodias dos anjos.
A Sabedoria, ontem, disse-me baixinho:
- "Vai! Embora fraco, tem paciência.
"Sim, seja a paciência a tua única arma. Doente, ou triste - têm paciência!"
Ó Hafiz, guarda na alma este conselho, e,
se de fatigado cambaleias,
endireita-te,
ergue a fronte,
e caminha!

Hafiz